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Em Santarém, exposição inclusiva “Anãma Tapajós” é prorrogada até 29 de maio

A mostra apresenta um conjunto de 95 peças artísticas — entre remos em madeira, pinturas e tecidos — que evidenciam as relações entre memória, território e ancestralidade.

19/05/2026 às 06h00 Atualizada em 20/05/2026 às 08h07
Por: Redação
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Cegos e pessoas com baixa visão em contato com as obras da exposição - foto: Lenne Santos
Cegos e pessoas com baixa visão em contato com as obras da exposição - foto: Lenne Santos

Programada inicialmente para encerrar no dia 22, a exposição inclusiva “Anãma Tapajós: Histórias e Memórias Impressas no Barro”, no Centro Cultural João Fona, em Santarém, oeste do Pará, foi prorrogada até o dia 29 de maio.

Gratuita, a exposição pode ser visitada de segunda a sexta-feira de 08h às 18h.

A mostra apresenta um conjunto de 95 peças artísticas — entre remos em madeira, pinturas e tecidos — que evidenciam as relações entre memória, território e ancestralidade, a partir da cerâmica como linguagem artística e expressão cultural, e propõe ao público um mergulho sensível nas narrativas visuais que atravessam saberes e identidades amazônicas.

Grupos escolares podem agendar visitas por meio do e-mail: [email protected].

O projeto é realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) de Incentivo à Cultura, por meio da Secretaria Estadual de Cultura (Secult), com apoio da Secretaria Municipal de Cultura. No dicionário tupi-guarani, “anãma” é uma palavra que se refere à família, parentes, nação e povo.

Inclusão

A ideia de fazer uma exposição inclusiva surgiu da percepção sobre o alcance que a arte pode ter para as pessoas cegas e com baixa visão. "Nós percebemos os elementos artísticos a partir de uma estética visual, mas, para esse público, a interpretação acontece por outros sentidos, principalmente pelo tato e pela audição”, explicou o artista Vítor Matos.

Segundo ele, o principal desafio foi desenvolver objetos artísticos que pudessem ser “lidos” por meio da experiência sensorial. “O desafio foi justamente construir obras que pudessem ser vistas e compreendidas por pessoas cegas e com baixa visão, ampliando o tato e complementando essa experiência com a percepção auditiva”, destacou.

Vítor Matos destacou ainda que o projeto foi motivado pela necessidade de ampliar as práticas de inclusão e acessibilidade no campo artístico. “O que me incentivou foi realmente a questão da inclusão e da acessibilidade em todos os sentidos”, concluiu.

Visitação

No dia 15, um grupo de 20 pessoas entre cegos e com baixa visão visitou a exposição. A ação reuniu integrantes da Associação Santarena para Inclusão de Pessoas Cegas e com Baixa Visão (ASSIC), que puderam conhecer o acervo composto por peças em alto-relevo, com recursos de audiodescrição desenvolvidos especialmente para garantir acessibilidade ao público.

Peças em alto relevo - foto: Lenne Santos
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O presidente da Associação Santarena para Inclusão de Pessoas Cegas e com Baixa Visão (ASSIC), professor Jeter Rezende, afirmou que a visita busca incentivar pessoas cegas a frequentarem espaços culturais e também estimular organizadores de exposições a adotarem práticas de acessibilidade.

Atualmente, a associação atende cerca de 50 pessoas entre estudantes, profissionais e integrantes já inseridos no mercado de trabalho.

“Nós somos vítimas de apaixonados pela palavra inclusão, mas precisamos de pessoas apaixonadas pela acessibilidade e pela promoção de práticas que garantam autonomia e cidadania às pessoas com deficiência”, afirmou.

Experiência 

Para a auxiliar de serviços gerais Viviane Miranda, de 47 anos, o retorno ao museu após décadas teve um significado especial. “Na primeira vez em que estive aqui, eu era muito nova e não tive a oportunidade de tocar ou experimentar os materiais. Hoje, essa experiência com as peças de barro será uma surpresa muito gratificante”, declarou.

Cegos e pessoas com baixa visão têm acesso à audiodescrição durante a visitação - foto: Lenne Santos
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Sabrina Kelly dos Santos está passando pela sua primeira experiência em visita a uma exposição de arte com recurso de audiodescrição.

“É algo novo e um passo muito importante para mim. Gostaria de parabenizar o artista Vítor Matos, que teve a capacidade de produzir peças acessíveis, e espero que isso sirva de inspiração para outros artistas começarem a produzir materiais acessíveis”, disse.

A consultora em audiodescrição Andréa Simone Colares ressaltou a importância do recurso para ampliar a compreensão das obras por diferentes públicos. Segundo ela, a audiodescrição não beneficia apenas pessoas cegas, mas também pessoas com baixa visão, autistas, disléxicas e analfabetas.

Andréa afirmou que a experiência vivida na exposição foi inovadora até mesmo para sua atuação profissional.

“Quando ouvi a audiodescrição ao mesmo tempo em que tocava as peças, consegui compreender melhor cada detalhe. Antes, eu conhecia esse recurso apenas na teoria, mas agora tive a oportunidade de vivenciá-lo na prática”, explicou.

A consultora destacou ainda que levará essa experiência para futuras formações sobre acessibilidade cultural.

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